12 junho 2013

(n)amorados

que torce o pescoço, desvira o rosto e fecha a boca pra não escutar
sobe alto no banco, desvira o chinelo, encosta na tinta fresca pra refrescar
 que desce leve, segue forte, balança a cabeça pra não aceitar
abre foco suave, enxerga longe e o peito não consegue visualizar
 sorri solto, amolece o corpo, libera energia a qualquer lugar
garante o céu e também a terra, mas nada tem para lhe ofertar
 dorme junto, acorda mudo e força a memória pra lembrar
das juras sinceras, do coração povoado, dos quereres doces do amor complicado
 da satisfação em satisfazer o momento, sem nada perceber
o contato é instantâneo e se dá, independente de ser 
 o hoje é só saber, pois o futuro há de se perder
qualquer que seja o propósito é irrelevante e teme em não doer
 cabendo ao destino direcionar o todo para o maior indivíduo que aparecer
restando somente o eu e, quem sabe, um tanto de você.
( )

19 maio 2013

(meta)morfose




vira
(des)vira
(re)vira
apanha a flor caída que a raíz espera forte o retorno da floração
segura
(se)muda
se(cuida)
sente que o vento forte já foi e o vento breve já vem com cores novas para celebrar o novo ciclo que já está.
pára
(re)para
se(para)
espera a chuva forte passar que vem a noite com luzes claras para aquecer o novo corpo que se formou
tempo
tombo
terra
recebe o não aceitando o sim com a certeza de que o talvez é a clareza do então.
( )

10 fevereiro 2013

Te



 Eu choro o prazer de estar só
A possibilidade de decidir o meu caminho, o percurso que devo seguir no minuto que eu escolher
Choro leve..de possibilidade de alegria
Eu choro por lembrar e esquecer todos os dias que chorar é sinal de saúde
E que manifestar suas emocões, mesmo que à flor da pele é sinal de sabedoria.
Quem quiser que se levante
Eu choro por não poder chorar ao saber
Choro por ver
Um homem com os olhos grandes de etnia, ter olhos pesados de chorar sem lágrimas
e sorrir
e dançar com um transeunte
e fotografar cada cor nova que seus olhos vivos focar
e conhecer todo o mundo
e saber que está só
eu choro por chorar
por mediocridade
pois os olhos grandes não choram mais
transcenderam a tristeza e só fotografam alegria
Eles disseram: desacredite! ela não vai sobreviver
mas os olhos diminuiram e se contraíram de raiva e força
Nunca!
Eu choro de orgulho
de ver olhos que choram de alegria e que fotografam o dia a dia
pra mais tarde encontrar com sua amada, mesmo que em pensamento
deitada e sabendo..que os olhos grandes olham por ela.
Eu choro pois é carnaval
e as cores todas ele levou pra ela
e eu daria mais ainda se pudesse criar
o verde esperança
o azul amor
o violeta sonho
os olhos grandes voltaram
os olhos fechados acordaram
Eu sorri.
( )

27 janeiro 2013

 
Lembro de quando eu tinha oito anos e invadi a casa da "moça fina da cobertura" pra pedir um autógrafo dele...a menina-criança que me acompanhava mal fazia idéia de quem ele era, mas eu devia ouvi-lo desde a barriga de minha mãe....sabia muito bem o quanto queria vê-lo de perto. Toquei a campainha e a "moça fina da cobertura" me barrou na porta. Acho que se fosse um simples fã pedindo uma atenção àquela visita ilustre que ela recebera, seria aceitável uma negação. Mas era uma criança, com os olhos brilhando, cheios de esperança de ver de perto o seu ídolo mais antigo. Quando a moça "não tão fina" da cobertura já ia quase fechando a porta, eis que surge Ele:
- Ei menina! Estava me procurando?! Entre! Fique à vontade...Quer beber alguma coisa?!
E aquele senhor, que sequer morava ali me recebeu exatamente como me receberia em sua casa...Talvez tenha me recebido até melhor, só pra calar a "moça besta da cobertura".
- Quero um autógrafo seu. Gosto muito do senhor, desde pequena.
(uma gargalhada)
- Então aqui está! Um autógrafo meu. Para a minha mais "nova" fã!
"Para Bruna,
tão bonita,
um beijo do
Tom Jobim."
( )

03 outubro 2012

29 de fevereiro de 1983

Não sei se lê o que eu escrevo.
não saberia dizer quando isso tudo começou. muito menos se isso vai ter fim um dia.
não consigo imaginar um dia diferente de todos esses até hoje. uma roupa dobrada corretamente no armário, um tênis fora do lugar...
a vida se estagnou.
esse histórico de atualizações foi modificado por muitas pessoas diferentes.
os objetos afetivos vindos de muitas regiões
álbum de infância preenchido por desconhecidos e como poderia ser diferente?!
essa hereditariedade é uma fraude
a herança é debitada a cada ano que amadurece envelhecendo, as manias foram tolidas, os quereres ignorados
mas estamos falando então de afeto, ok?!
ele permanece estagnado.
esperando a porta se abrir.
mas e quando não se tem porta e a única delimitacão que possui próxima de seus pés são seus próprios sapatos?
desgastados, poídos, rasgados.
quando seus olhos querem se fechar todas as noites na mesma hora
20 minutos depois de tomar a sua dose diária da tarja preta
servindo de desculpa imperdoável para tentar
esquecer os outros 20 anos de esquecimento.
então é hora de abrir?!
abrir o envelope
abrir a porta
abrir o peito
abrir o apetite
abrir o perdão
e quando a memória é inventada? ( )

21 setembro 2012



o vermelho que pinta
atravessando a borda delimitada
v a z a d a
de boca fina, de menina
que não sabe o que dizer
o contorno torto, arredondado
envolvendo o pêssego amaciado
de bochecha, de menina
que sorri sem saber por que
um lápis de colorir expressão
uma sombra de abrandar desilusão
d e l i n e a d a
verde-amarelada, sugerindo sucessão
limpando o que não tem traço azul
c e l e s t e
de olhar tímido, de menina
que enxerga sem ver
base pra cobrir a máscara
pó para a depressão
um punhado de cores em pele leve
, de mulher
pra gerar a ocasião. ( )

10 junho 2012

no meio do caminho
do meio
de canto sem ponta
no centro
do foco suave
no bloco espesso
de pedras soltas
no caminho do meio
de escolha livre
na certeza presa
do eixo
em ponto alto
no muro torto
de pegadas firmes
do meio
no caminho... ( )

21 março 2012

Entre

ela acorda, olha o relógio e ainda tem 15. vira de bruços, fecha os olhos e toca o despertador. acorda e abre o olho (necessariamente nessa ordem). vira de lado e levanta. joga uma água no rosto com pingo de pasta de dente e abre a porta do quarto. é lambida pelo calor escaldante do sol de 8 horas, 20 graus acima do seu leito e mesmo assim insiste no café preto. quente. lê o segundo caderno, o urbano dos quadrinhos, duas mortes do obituário e fecha a mochila. desce três lances de escada, 10 metros de ladeira e acompanha o seu ônibus ir embora e o motorista ignorar a sua presença gesticulada exacerbada por considerá-la fora da sua faixa de visão da boa vontade. toma um suco de laranja de olho no troco e no ônibus e fica feliz pois o seguinte tem ar condicionado. que se foda o anterior. senta na janela, vira pro lado oposto e fecha o olho até chegar no túnel. liga o seu ipod e abre suas anotações. pensa superficialmente no seu dia, se lembra dos tópicos pontuais e desce fora do ponto entre dois carros. olha pro lado oposto ao fluxo, percebe uma bicicleta e acelera o salto ao meio fio. pensa em voltar pra casa, em reverter o café, escolher outra calcinha e desiste dessa esquizofrenia recorrente, decidindo dar um passo em direção à rua sem saída, que finalizará o seu destino matinal. olha o relógio, percebe o atraso de 3 minutos, dentro da escala de 15 minutos de tolerância e acelera o passo. toca o interfone sem um botão, dirfarça a voz de sono e anuncia a sua chegada.
Entra. ( )

27 fevereiro 2012

mauá

se eu pudesse pintar..
se eu pudesse pintar o mundo seria de cor de azul anil. esperaria o mar se pôr e o sol secar, se eu pudesse pintar..
bateria palmas para o pôr do céu. jogaria grãos de granola pro casal que se descasasse por amor, seu eu pudesse pintar..
tocaria um repique de espelhos e admiraria o som da minha própria imagem. escutaria o silêncio. alcançaria o tom, se eu pudesse pintar..
se eu pudesse pintar..
deixaria tudo assim do jeito que está. ( )

08 fevereiro 2012

solta

de quando não se tem o que dizer e sentir é caminho único
ouvir é clichê
escutar é opção
os atrasos causados pela causalidade torturam a expectativa de insistência
permanecer...
objetivo (in)atingível
subjetivo
o suspiro fraco toma força e vira tosse
posse impotente
descrente de crendices
tolices soltas
maluquices sóbrias
explosão inclusa
a espera provocada pela ansiedade quebra o protocolo da abstinência
objeção
obstrução 
constituição falida
residência trincada
trocada
tolida
esperada com distante presença próxima
ponto de vista
água e coca-cola
diet light gorda
prova (des)crente
o sol levanta às seis o domingo finda às oito e o apego...
(des) A pega.
( )

04 dezembro 2011

saturno


chegou a hora
dizem que ele retorna com os planetas numerados
o dois na casa do dez e o nove por ele mesmo
o retorno é certeiro e transforma(dor)
vem ligeiro pra bagunçar o eixo
vem de leve e equilibra o querer
ou distorce ele de vez
pra vez em quando eu esquecer de sofrer
pra vez em sempre eu lembrar de querer e poder
e ser mais do que ter
torna a vir pra ensinar que a mudança vem pra (des)estruturar
que dá medo e que medo é gostoso de se levar
pesado de se trazer leve levando saber
oficializa a luz do viver
e todo o colorido do dia da noite violeta de entardecer. ( )

06 outubro 2011

(de)novo

então você tenta controlar aquele frio na barriga
aquela fusão da ansiedade com a leveza
a sensação de que o erro está próximo pela tentativa de acertar, simplesmente
daí você coça a cabeça
torce o nariz
franze a sobrancelha
enxerga longe com o desejo de sentir perto
de tocar a dúvida
de engolir o medo
de cuspir o recuo
de beijar o entorno
de amar por amor
lúcido, experimenta a insanidade
argumenta com a projeção
escolhe a razão...e um tanto de coração
abre os olhos e desfruta o novo caminho
(de)novo.

20 setembro 2011

Riscado

..do filme Riscado de Gustavo Pizzi, surgiu a necessidade de "dividir" a afetação com a jovem grande atriz que interpreta o papel principal..


19 de setembro de 201
karine,
ontem fui ao cinema sozinha, o que me impossibilitou expressar comentários na saída…ir ao cinema sozinha tem dessas coisas…também o seu lado bom de guardar as
emoções todas pra você e, quem sabe, codificar de forma diferente.
o fato é que saí engasgada. afetada. anestesiada. fiz um percurso curto até a minha casa. metrô vazio. cidade vazia (até mais que o normal para um fim de tarde de domingo).
percebi que meu passo acelerou quando saí para ver o resto de luz do dia. escada ao invés de rolante. passarela ao invés de rua e uma vontade intensa de chegar em casa
para, enfim, codificar tudo que senti.
chorei. ao me identificar tanto com a história simples e esmagadora interpretada com o maior respeito por você, uma integrante desse mundo (talvez um pouco mais antes
ou um tanto menos agora).
tive um misto de raiva e satisfação por viver aquela hora como se fosse minha. por vibrar com a bianca que deixaria de ser uma bianca, imaginando quando uma bruna
se tornaria a. por sofrer por mais uma bianca que continuaria sendo uma atriz, que rala todos os dias, com a incerteza mais certa de que esse deslize pode não terminar.
por tentar chegar nesse galho perto e longe todos os dias e saber que ele sempre estará ali…me
tentando a tentar subir.
sorri. por ver uma grande atriz interpretando a minha vida e a de tantas outras umas, com a segurança de ser a. por ter a absoluta certeza que esse é o meu
caminho e que as histórias não precisam ter finais felizes, mas carregam a obrigacão
de terem uma série de caminhos cheios de finais.
obrigada por ter me proporcionado esse momento de realidade inventada, de sonho irreal, ou qualquer coisa que tenha feito o meu estômago se manifestar.
enfim.
grande beijo e muito sucesso pra você!
( )

o contato..

"oi querida, como está? Que texto lindo! Obrigada por me escrever... Não sei nem o que te responder...
Caminho é a palavra do filme, e da nossa vida mesmo... o final nem sei se existe e qual é... se é um ou muitos... por isso temos o caminho... pra viver tudo que vier...eu com certeza coloquei alguns fantasmas pra fora com esse filme, mas sigo sendo a mesma atriz e acreditando nas mesmas coisas... e querendo o que eu sempre quis... Talvez de uma forma um pouco diferente....
MERDA pra gente querida! Que a gente continue no Caminho!!!!
Bjs"

19 de setembro de 201

09 setembro 2011

.

então você tenta verbalizar pensamentos e percebe a inutileza da verbalização 
e como em poesia você pode começar do meio e terminar do início
pode criar palavras palavreadas e ditar a tendência do fonema em cada linha torta
pode transpirar o papel e apagar a luz da tela do computador quando o seu ouvido gritar por sossego
pode começar uma frase, um apelo, um espirro e terminar sem fim
pode escrever pra ninguém e ganhar admiração
pode descrever um específico que nem de longe vai tentar compreender toda essa baboseira única que se tenta criar ao tentar codificar o que a mente tenta fazer ao passar por cima da emoção e a afetação rebater a razão ao tentar registrar um acaso.
então você desiste de tentar isso tudo e percebe que a pensação de transmimento é bem mais rápida, prática, unilateral e indolor.
coloca um travesseiro no espaço vazio da cama, um copo de água pela metade na cabeceira e um lápis sem ponta pra desistir de tentar pensar.
dorme um sono pesado sonhando leve no colchão duro com cobertor furado
acorda feliz e mau humorado fechando a janela pra chuva não molhar.
separa o terno da meia, a liga do cachecol  a ruga da preocupação.
toma café sem pão e geléia sem manteiga.
sai de casa de costas com um impulso lento de viver o dia que já acabou
e sorri
porque você criou tudo isso e não importa o que você mesmo vai pensar quando pensar em criar sentido ao reler o seu desabafo. ( )

03 setembro 2011

Pequena.

..menina pequena de pulso grande
guerreira de pai de força maior..
vontade que tenho de te pegar no colo
quando tua lágrima escorre por dentro
quando sei que ela quer sair pra lavar o que não se pode esquecer.
..menina fortaleza de coração mole
amizade é coisa que não se compra
bem querer é fartura de poucos
a luz que se apaga aqui
é chama que cresce de lá
..lá de onde não se vê
mas se sente
se toca se ouve se sonha
se espera com saudade acesa.
..não se apaga mais
mas pode se abrandar com vela ligada
pode se curar com luz violeta
lembra dela todos os teus dias?
que em um filamento de todo esse amor
tem meu ombro pra secar tuas lágrimas ausentes
ou tuas risadas que me fazem sorrir
..menina grandeza dos olhos vivos
o mundo é todo teu
a hora é toda sua e tristeza nenhuma pode esperar
fica pouco e não demora
o dia não tarda a realizar
a felicidade nem bate
e a vida vai tomar o seu lugar.

24 agosto 2011

então é poesia

não entendo por que as palavras ferem se não há linha para organizar o engano 
não entendo por que (des)engano 
não entendo por que a criança ri a vida e por que cresce pra esquecer 
não entendo por que o telefone toca e do outro lado ninguém diz 
não entendo por que dizer se o esquecimento apagou o tom 
não entendo o olhar sincero se não há toque firme 
não entendo aonde o mundo desvia do eixo e deixa o céu virar chão 
não entendo o que acontece com a dor quando ela deixa de ser amor 
não entendo aonde existe uma conexão entre o encontro e o desencontro 
nao entendo como um palhaço triste entristecido pode se alegrar com essa crueza toda 
nao entendo por que eu tento entender 
nao entendo por que ainda tento nao tentar entender e desisto tentando tentar 
nao entendo por que tudo fica do avesso e o desavesso é tão dificil de desvirar 
nao entendo por que a lágrima molha ao mesmo tempo que o coração seca 
nao entendo por que o coração se esconde da razão 
nao entendo por que a razao nao domina o mundo e eu esqueço e desisto de vez de entender.
e entendo.

20 agosto 2011

PS:grafia

a menina escrevia cartas
mas o conteúdo não saía de sua imaginação
a menina só emprestava a mão
e parte do coração
ouvia o som quente
do pedido esquecido
sentia o olhar firme
do desejo repartido

eram cartas de amor
de dor, de perdão
umas sem destinatário
outras sem remetente
dessas cartas que
comovem a gente
de fazer perder o chão
e consolar o peito

uns dizem que não acreditam
outros fingem não saber
mas no fundo
todo mundo 
sempre sonha
em receber.

PS:acredito em você
( )

05 julho 2011

de.

ela desistiu de escrever
cansou de toda aquela (des)ordem de palavras belas que escodiam a impureza das idéias podres
ela desistiu de esperar
cansou de toda aquela projeção ingênua que sua mente insistia em persistir
ela desistiu de acreditar
cansou de toda aquela promessa certa de uma beleza incondicional, torta
ela desistiu de querer
cansou de toda aquela fantasia de vontades seguras e sensações inesperadas
ela desistiu de sonhar
cansou de toda aquela ilusão de estórias belas com finais trágicos, românticos
ela desistiu de amar
desistiu de sofrer
de respirar
de. ( )

24 maio 2011

carta a uma jovem qualquer

Querida rainha,

não se assuste...a denominação vem de outros planos e pouco importa a importância que um nome tem para uma sociedade que desconhece o valor de uma mulher-rainha.
entenda essa assinatura como o começo de um novo caminho...antigo e já explorado, porém ainda desconhecido por vossa senhoria.
um caminho novo requer memórias do antigo que ainda não passou ou lembranças do atual que vai passar e ficar e esperar outra oportunidade para estagnar.
mas tudo isso são meras suposições...a senhorita poderá envelhecer anos em horas e esquecer da sua cantiga preferida, dos tempos em que sua mãe cantava pra lhe apagar.
a menina poderá querer provar o cheiro do toque macio que a lavanda penetrava na fronha rosa que revertia o travesseiro de meio palmo.
mas nunca vai esquecer da primeira cicatriz...tampouco da última tatuagem.
não se preocupe...as lembranças são resultados de memórias físicas, portanto, suas afetações estarão bem guardadas em sua bagagem de objetos sem importância de uma adolescência rebelde.
devo lhe dizer também que o destino não passa de uma crendice e que os seus primeiros desenhos falam mais de você hoje, que a sua analista na sessão de amanhã.
pratique o desapego e encare o seu baú de recordações, que deverá estar entupido de espaço preenchido mas não necessita da poeira que te irrita a face e das cores que descolorem as ilusões.
siga em frente, sem perceber o peso da pegada oca que ocupa o solo aquecido.
chore
e sorria, quando necessário.
simule
e elouqueça, quando inevitável
corra
e enfrente, quando desistir
te aconselho, querida mulher-rainha-menina, que insista em enfrentar o receio...que esqueça de lembrar do bloqueio...que adormeça sem evitar o erro.
mas quem sou eu para lhe sugerir um modo de contemplar a vida...
sou só um garoto atrevido...um homem bandido...um irmão esquecido...um servo destemido.
minha última solicitação-sugestiva: não temas o encontro...encontre o amor dentro dele.
aceite o colo e não hesite o querer.
ele é mais que poder. é melhor que dever.
seja. ( )

06 maio 2011

girá

toca o toque
canta o ponto
o Pai anuncia
a festa do Orixá


pisa torto
vira corpo
sobe energia
a transbordá

grita moço
dança moça
mão e abraço
a cumprimentá

tá em casa
sente o colo
gira na gira
a respeitá

sobe Ogum
desce Oxum
firma cabeça
a Oxalá

reza pouco
pede menos
agradece e segue
a caminhá. ( )