ela desistiu de escrever
cansou de toda aquela (des)ordem de palavras belas que escodiam a impureza das idéias podres
ela desistiu de esperar
cansou de toda aquela projeção ingênua que sua mente insistia em persistir
ela desistiu de acreditar
cansou de toda aquela promessa certa de uma beleza incondicional, torta
ela desistiu de querer
cansou de toda aquela fantasia de vontades seguras e sensações inesperadas
ela desistiu de sonhar
cansou de toda aquela ilusão de estórias belas com finais trágicos, românticos
ela desistiu de amar
desistiu de sofrer
de respirar
de. ( )
05 julho 2011
24 maio 2011
carta a uma jovem qualquer
Querida rainha,
não se assuste...a denominação vem de outros planos e pouco importa a importância que um nome tem para uma sociedade que desconhece o valor de uma mulher-rainha.
entenda essa assinatura como o começo de um novo caminho...antigo e já explorado, porém ainda desconhecido por vossa senhoria.
um caminho novo requer memórias do antigo que ainda não passou ou lembranças do atual que vai passar e ficar e esperar outra oportunidade para estagnar.
mas tudo isso são meras suposições...a senhorita poderá envelhecer anos em horas e esquecer da sua cantiga preferida, dos tempos em que sua mãe cantava pra lhe apagar.
a menina poderá querer provar o cheiro do toque macio que a lavanda penetrava na fronha rosa que revertia o travesseiro de meio palmo.
mas nunca vai esquecer da primeira cicatriz...tampouco da última tatuagem.
não se preocupe...as lembranças são resultados de memórias físicas, portanto, suas afetações estarão bem guardadas em sua bagagem de objetos sem importância de uma adolescência rebelde.
devo lhe dizer também que o destino não passa de uma crendice e que os seus primeiros desenhos falam mais de você hoje, que a sua analista na sessão de amanhã.
pratique o desapego e encare o seu baú de recordações, que deverá estar entupido de espaço preenchido mas não necessita da poeira que te irrita a face e das cores que descolorem as ilusões.
siga em frente, sem perceber o peso da pegada oca que ocupa o solo aquecido.
chore
e sorria, quando necessário.
simule
e elouqueça, quando inevitável
corra
e enfrente, quando desistir
te aconselho, querida mulher-rainha-menina, que insista em enfrentar o receio...que esqueça de lembrar do bloqueio...que adormeça sem evitar o erro.
mas quem sou eu para lhe sugerir um modo de contemplar a vida...
sou só um garoto atrevido...um homem bandido...um irmão esquecido...um servo destemido.
minha última solicitação-sugestiva: não temas o encontro...encontre o amor dentro dele.
aceite o colo e não hesite o querer.
ele é mais que poder. é melhor que dever.
seja. ( )
não se assuste...a denominação vem de outros planos e pouco importa a importância que um nome tem para uma sociedade que desconhece o valor de uma mulher-rainha.
entenda essa assinatura como o começo de um novo caminho...antigo e já explorado, porém ainda desconhecido por vossa senhoria.
um caminho novo requer memórias do antigo que ainda não passou ou lembranças do atual que vai passar e ficar e esperar outra oportunidade para estagnar.
mas tudo isso são meras suposições...a senhorita poderá envelhecer anos em horas e esquecer da sua cantiga preferida, dos tempos em que sua mãe cantava pra lhe apagar.
a menina poderá querer provar o cheiro do toque macio que a lavanda penetrava na fronha rosa que revertia o travesseiro de meio palmo.
mas nunca vai esquecer da primeira cicatriz...tampouco da última tatuagem.
não se preocupe...as lembranças são resultados de memórias físicas, portanto, suas afetações estarão bem guardadas em sua bagagem de objetos sem importância de uma adolescência rebelde.
devo lhe dizer também que o destino não passa de uma crendice e que os seus primeiros desenhos falam mais de você hoje, que a sua analista na sessão de amanhã.
pratique o desapego e encare o seu baú de recordações, que deverá estar entupido de espaço preenchido mas não necessita da poeira que te irrita a face e das cores que descolorem as ilusões.
siga em frente, sem perceber o peso da pegada oca que ocupa o solo aquecido.
chore
e sorria, quando necessário.
simule
e elouqueça, quando inevitável
corra
e enfrente, quando desistir
te aconselho, querida mulher-rainha-menina, que insista em enfrentar o receio...que esqueça de lembrar do bloqueio...que adormeça sem evitar o erro.
mas quem sou eu para lhe sugerir um modo de contemplar a vida...
sou só um garoto atrevido...um homem bandido...um irmão esquecido...um servo destemido.
minha última solicitação-sugestiva: não temas o encontro...encontre o amor dentro dele.
aceite o colo e não hesite o querer.
ele é mais que poder. é melhor que dever.
seja. ( )
06 maio 2011
girá
toca o toque
canta o ponto
o Pai anuncia
a festa do Orixá
pisa torto
vira corpo
sobe energia
a transbordá
grita moço
dança moça
mão e abraço
a cumprimentá
tá em casa
sente o colo
gira na gira
a respeitá
sobe Ogum
desce Oxum
firma cabeça
a Oxalá
reza pouco
pede menos
agradece e segue
a caminhá. ( )
canta o ponto
o Pai anuncia
a festa do Orixá
pisa torto
vira corpo
sobe energia
a transbordá
grita moço
dança moça
mão e abraço
a cumprimentá
tá em casa
sente o colo
gira na gira
a respeitá
sobe Ogum
desce Oxum
firma cabeça
a Oxalá
reza pouco
pede menos
agradece e segue
a caminhá. ( )
15 abril 2011
um suspiro...
de alívio...
que o pior já passou.
de sossego...
que o horizonte espera.
de temperança...
devagar e todo dia.
de amor...
que já vem chegando.
cai
levanta
respira
enxerga
abre os olhos que o dia taí todo dia de novo com cheiro de flor da noite com gosto de fruta doce com toque de mão suave de pés que se aquecem ao amanhecer.
um suspiro.. ( )
que o pior já passou.
de sossego...
que o horizonte espera.
de temperança...
devagar e todo dia.
de amor...
que já vem chegando.
cai
levanta
respira
enxerga
abre os olhos que o dia taí todo dia de novo com cheiro de flor da noite com gosto de fruta doce com toque de mão suave de pés que se aquecem ao amanhecer.
um suspiro.. ( )
26 março 2011
bola fresca
ping pong...a menina sorri
ping pong ping...o menino espia
o seu jeito de olhar
dois pequenos corações
aprendendo a jogar
a bola bate molha sobe e quica
o toque seca solta volta e fica
dois pequenos corações
se permitindo encontrar
o sol se põe
a despedida se aproxima
o menino sorri
a menina espia
dois pequenos corações
se atrevendo a amar. ( )
10 março 2011
olhos fechados - coração aberto - vice versa
Ele disse que ela é covarde
Ela disse que ele não pode dizer
covarde é aquele que foge
ela daria tudo pra escolher
Ele disse que ela preferiu se distrair
Ela disse que ele não pode dizer
distraído é quem não vê
ela daria tudo pra esquecer
Ele disse que ela não sabe ser amada
Ela disse que ele não pode dizer
amor não se aprende a ter
ela daria tudo pra receber
Ele disse que ela foge
morde
rosna
sorri sem querer
Ela disse que espera
sonha
acorda
chora sem saber
Ele disse que cuida (d)ela
Ela disse que ele não pode dizer
cuidado é escada longe
pedra mole
ponte fina
trajeto torto
Ela só aprendeu a se defender. ( )
Ela disse que ele não pode dizer
covarde é aquele que foge
ela daria tudo pra escolher
Ele disse que ela preferiu se distrair
Ela disse que ele não pode dizer
distraído é quem não vê
ela daria tudo pra esquecer
Ele disse que ela não sabe ser amada
Ela disse que ele não pode dizer
amor não se aprende a ter
ela daria tudo pra receber
Ele disse que ela foge
morde
rosna
sorri sem querer
Ela disse que espera
sonha
acorda
chora sem saber
Ele disse que cuida (d)ela
Ela disse que ele não pode dizer
cuidado é escada longe
pedra mole
ponte fina
trajeto torto
Ela só aprendeu a se defender. ( )
06 março 2011
carnavalizar
é carnaval lá fora
mas a avenida desfila aqui dentro
balança bases
batuca pensamentos
é carnaval lá fora
aqui a marcha é breve
mestre não tem bandeira
baiana não tem chão
é carnaval lá fora
o repique perdeu o tempo
a cuíca desandou
a passista desaprendeu a sorrir
e a quarta-feira já chegou.
hora de seguir. ( )
25 fevereiro 2011
Digo..
..aquela energia toda não cabia ali
o espaço era pequeno demais pra comportar
o sentimento anestesiado pra sentir
tamanha euforia
borboletas rodando
ar entrando
saindo
cuspindo felicidade
é físico esse negócio que não se vê
é invisível essa distância que se estabelece
é inaudível esse calor que encharca os poros carentes de dizer
os dois...
outra vez...
ali...
frente a frente
o olhar o presente o orgulho idolatrado
ele era grande
explodia
ela era sóbria
e bebia
pra acalmar o trânsito
de cores que se misturavam
no palco iluminado de som-bom
melodia próxima...
o radinho gritou
se sacudiu
recebeu o calor
de dentro
logo ali
do ladinho
que quase não cabia
no sorriso violeta
mais sorridente que existia. ( )
17 fevereiro 2011
surdo mudo
eles se entendiam assim
o menino mudo e o cão surdo
a palavra não alcançava
o som se perdia
sem precisar se achar
a comunicação se estabelecia
o alto latido o sereno ouvido
o cão surdo e o menino mudo
se ouviam sem falar
seus olhares sabiam
a cumplicidade crescia
o amor prevalecia
o cão e o menino
se comunicavam sem pensar
se amavam sem saber
e sentiam
o acaso teimou e se encarregou
ensurdeceu o menino mudo
emudeceu o cão surdo
e só eles se entendiam
ninguém mais
ai de quem tentasse
ousasse
sonhasse
formar um trio da dupla
ou um grupo de dois mais
o menino mudo
o cão surdo
eram todo o mundo
acompanhados
só dos dois. ( )
o menino mudo e o cão surdo
a palavra não alcançava
o som se perdia
sem precisar se achar
a comunicação se estabelecia
o alto latido o sereno ouvido
o cão surdo e o menino mudo
se ouviam sem falar
seus olhares sabiam
a cumplicidade crescia
o amor prevalecia
o cão e o menino
se comunicavam sem pensar
se amavam sem saber
e sentiam
o acaso teimou e se encarregou
ensurdeceu o menino mudo
emudeceu o cão surdo
e só eles se entendiam
ninguém mais
ai de quem tentasse
ousasse
sonhasse
formar um trio da dupla
ou um grupo de dois mais
o menino mudo
o cão surdo
eram todo o mundo
acompanhados
só dos dois. ( )
11 fevereiro 2011
m e d i t a r
..tão bom quando a vida te obriga a ficar atenta e a distração te movimenta
o toque é calmo
o passo é longo
o olhar é firme
o desejo é sereno e o objetivo se encontra no tempo
a dor se esquece de sentir
o amor permanece sem pensar
a paixão surge num piscar
o prazer explode antes de esgotar
a lembrança adormece
o sonho enlouquece
a paz estabelece
o sorriso ensurdece, entorpece, estremece, amolece
o querer engrandece
o dia segue sem parar.. ( )
05 fevereiro 2011
matusquelo
..daquele que some sem dar tempo pra pensar
aparece com estrelas pra contar
penetra sonhos
escolhe cores
tem quatro ou cinco parafusos a mais pra esquecer
da solidão
verde aquecida do gelo artificial
fina inexistente do calor proposital
degusta as melhores estações
acalma a voz de quem ouve
estimula risos e sorrisos e gargalhadas sem fim
e faz feliz...a parte de um tanto de mim. ( )
28 janeiro 2011
Querido
veja bem...
não sou menina para forjar um choro
tampouco mulher de esconder
gosto das coisas esclarecidas
deixo palavras soltas no ar
interpretação é ponto de vista
querer menos é de lamentar
o preto pode ser branco e até violeta
mãos e pés podem se chocar
medo faz parte do entendimento
paixão é sentimento que pode esperar
mas o cuidado...é coisa que aprecio em conservar
se for seguir, me chama
se for parar, deixa eu me adiantar. ( )
não sou menina para forjar um choro
tampouco mulher de esconder
gosto das coisas esclarecidas
deixo palavras soltas no ar
interpretação é ponto de vista
querer menos é de lamentar
o preto pode ser branco e até violeta
mãos e pés podem se chocar
medo faz parte do entendimento
paixão é sentimento que pode esperar
mas o cuidado...é coisa que aprecio em conservar
se for seguir, me chama
se for parar, deixa eu me adiantar. ( )
25 janeiro 2011
a guerra
tenho medo dessa guerra..
que coleciona corpos
aprisiona opiniões
corrói vidas breves em longas torturas
marca o peito frio, enfraquecido
essa guerra inconstante..
de ego e pudor e rancor
que transforma sonho em pó
amor puro em lenda sóbria
melodia em ruído de dor..
guerra que emburrece..
embrutece sentimentos
negligencia sensações
transforma flor em fuga
vermelho em preto-acinzentado
e afasta...
quem tanto queria se querer. ( )
que coleciona corpos
aprisiona opiniões
corrói vidas breves em longas torturas
marca o peito frio, enfraquecido
essa guerra inconstante..
de ego e pudor e rancor
que transforma sonho em pó
amor puro em lenda sóbria
melodia em ruído de dor..
guerra que emburrece..
embrutece sentimentos
negligencia sensações
transforma flor em fuga
vermelho em preto-acinzentado
e afasta...
quem tanto queria se querer. ( )
14 janeiro 2011
último do primeiro
levantou às seis, como era de costume
colocou o chinelinho azul
deu comida ao pássaro amarelo
comeu o mamão papaia-alaranjado
abriu a janela e respirou o amanhecer
era o seu dia...
recebeu visitas queridas
ganhou votos acolhedores
comeu bolo com refrigerante e amor
sentou na varanda e suspirou o entardecer
era o seu dia..
releu cartas e sorrisos
ouviu som e silêncio
caminhou entre o verde e a saudade
deitou na cama e adormeceu o anoitecer
era o seu dia.
o último
do primeiro. ( )
colocou o chinelinho azul
deu comida ao pássaro amarelo
comeu o mamão papaia-alaranjado
abriu a janela e respirou o amanhecer
era o seu dia...
recebeu visitas queridas
ganhou votos acolhedores
comeu bolo com refrigerante e amor
sentou na varanda e suspirou o entardecer
era o seu dia..
releu cartas e sorrisos
ouviu som e silêncio
caminhou entre o verde e a saudade
deitou na cama e adormeceu o anoitecer
era o seu dia.
o último
do primeiro. ( )
13 janeiro 2011
nó.
..pela desordem do mundo, pelas pessoas que partem, pelas que ficam e sofrem com as partidas, pela ausência de vidência, pelo embrulho no estômago, pelo cansaço do peito, pela esperança desalinhada, pelo pão duro dormido, pelo punho enfraquecido, pela carência de afeto, pela falta de apego, pelo chão seco, pelo trigo vencido, pelo amor não correspondido, pelo soluço constante, pelo susto proposital, pelo excesso de querer, pela falta de porquê, pelo sentimento morno, pelo carinho insosso, pelo jantar sem almoço, pela satisfação burra, pela ignorância nula, pela curiosidade crua, pelo chá amargo de fim de tarde, pela chuva, pelo vento, pelo relento, pelo frio, pelo caos, pelo tapa na cara e pelo descaso pobre da cegueira embrutecida do bicho-homem irracional, que transforma luz fria em sombra quente, que consome seu próprio veneno e morre com a sua própria solidão. ( )
09 janeiro 2011
gente..
gente.. é povo complicado
termina antes de começar
afasta antes de aproximá
limita antes de acontecer
e foge... com medo de se querê
gente.. é povo esquisito
sai de fino aflito
com nó de vazio preenchido
sapato na mão pra esquecer
e chorar... sem doê
gente.. é povo aquecido
do cheiro que fica
da pele macia
suada mordida
colada... fazendo fervê
gente.. é povo querido
que se emociona sem perceber
que fala alto e não escuta
que o sol não queima nem seca
.. só faz vermelhecê. ( )
termina antes de começar
afasta antes de aproximá
limita antes de acontecer
e foge... com medo de se querê
gente.. é povo esquisito
sai de fino aflito
com nó de vazio preenchido
sapato na mão pra esquecer
e chorar... sem doê
gente.. é povo aquecido
do cheiro que fica
da pele macia
suada mordida
colada... fazendo fervê
gente.. é povo querido
que se emociona sem perceber
que fala alto e não escuta
que o sol não queima nem seca
.. só faz vermelhecê. ( )
28 dezembro 2010
aiê oxum
o dia era de agradecer
toque das águas
aquecer das pedras
presentear das trilhas
o caminho era só de subir
passo em falso atento
sorriso apreciado
chão, som, o sol escondido
um olhar inquietado
curioso
revelado
correspondido
água viva para refrescar
pra conhecer
agraciar..
o dia era da noite quente
da pintura na tela revelada
do movimento imóvel interpretado
suado
chuva fresca para avivar
pra conhecer
agraciar..
( )
toque das águas
aquecer das pedras
presentear das trilhas
o caminho era só de subir
passo em falso atento
sorriso apreciado
chão, som, o sol escondido
um olhar inquietado
curioso
revelado
correspondido
água viva para refrescar
pra conhecer
agraciar..
o dia era da noite quente
da pintura na tela revelada
do movimento imóvel interpretado
suado
chuva fresca para avivar
pra conhecer
agraciar..
( )
24 dezembro 2010
..de pilha.
..a janela estava aberta, e isso era raro pois a poeira da obra da fachada irritava suas narinas desprovidas de filtros à prova de poeira-fina.
mas o sol estava tão tentador...depois de uma semana de frio, chuva e ausência de luz natural...que a janela se abriu com o consolo de receber, em meio à poeira dos operários desajustados, um foco de brisa...uma faísca de vento...um facho de aquecimento.
em meio ao som ensurdecedor de repiques de martelos, agudos de britadeiras, chacoalhar de pedras soltas caídas ao chão...vinha um som...um som familiar e um tanto quanto desconhecido...um som apropriado de esquecimento conduzido...um som agradável aos seus ouvidos...som bom...só...som.
uma sanfona talvez...tons próximos...palavras frescas...secas...descascadas.
ela arriscou olhar pela janela para procurar de onde vinha aquele som...e, ironicamente, vinha da mesma origem sonoro-poluidora dos operários inoportunos...um radinho de pilha...de pilha.
em meio a toda aquela desordem de gesso, massa e entulhos...parecia que se formava uma serenata para aquela janela...
lixos e retalhos compunham aquele cenário já não mais desconhecido...
era sim...uma serenata...em plena luz do dia...e do calor abafado...e da ausência de músicos e poetas...
só ela e o radinho de pilha...eles se bastavam...
apoiou os cotovelos ressecados no peitoril empoeirado...e contemplou o seu presente imposto pela sua própria imaginação manipuladora. ( )
mas o sol estava tão tentador...depois de uma semana de frio, chuva e ausência de luz natural...que a janela se abriu com o consolo de receber, em meio à poeira dos operários desajustados, um foco de brisa...uma faísca de vento...um facho de aquecimento.
em meio ao som ensurdecedor de repiques de martelos, agudos de britadeiras, chacoalhar de pedras soltas caídas ao chão...vinha um som...um som familiar e um tanto quanto desconhecido...um som apropriado de esquecimento conduzido...um som agradável aos seus ouvidos...som bom...só...som.
uma sanfona talvez...tons próximos...palavras frescas...secas...descascadas.
ela arriscou olhar pela janela para procurar de onde vinha aquele som...e, ironicamente, vinha da mesma origem sonoro-poluidora dos operários inoportunos...um radinho de pilha...de pilha.
em meio a toda aquela desordem de gesso, massa e entulhos...parecia que se formava uma serenata para aquela janela...
lixos e retalhos compunham aquele cenário já não mais desconhecido...
era sim...uma serenata...em plena luz do dia...e do calor abafado...e da ausência de músicos e poetas...
só ela e o radinho de pilha...eles se bastavam...
apoiou os cotovelos ressecados no peitoril empoeirado...e contemplou o seu presente imposto pela sua própria imaginação manipuladora. ( )
22 dezembro 2010
romã
o ano passou arrastado e ligeiro..
teve inverno de verão
folha seca de primavera
teve flor que desabrochou
de fina pétala
caule firme
raiz atrevida
folha leve
o ano passou forte e rasteiro..
teve tempestade de furar tempo
brisa fresca pra consolar
teve sol sombra susto escuridão
teve som sonho colo solidão
o ano passou..
teve um, teve dois
teve eu
procurando mim.
teve nós
encontrando sós
teve flor
buscando jardim
passou..
ficou a flor
seguindo
sorrindo assim..
( )
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