31 janeiro 2010

tapanacara

ei menina
seu tempo acabou
vai sonhar até quando?
vestir as roupas de sua mãe e usar aquele batom vermelho que te envelhece, amadurece
subir na montanha em dois passos
descer em um pé
dar cambalhotas na areia
ir à praia em plena quarta-feira
ouvir a hora do brasil sem se afetar
acordar ao meio dia
dormir no início do outro
beber mais do que aguenta
cuspir menos do que devia
cheirar suas lamentações
chorar suas limitações
flertar com o seu ego
fumar a sua alma
negligenciar suas oportunidades
proporcionar esperança em corações
sabotar o seu próprio, murcho, de tanta ausência
sobreviver aos ataques de insetos famintos, sedentos, oportunistas, que se apropriam de sua ansiedade
beijar a morte
dançar a vida
devolver a sorte
entregar a despedida
seguir em frente
ou parar na primeira esquina aconchegante, com ralos soltos transbordando lama e lamentações
reaja
evolua
encare
supere
respire
lute
grite
desconfie do conforto
duvide da alegria
aceite a felicidade
receba o amor
drible a dor
revigore as energias
c  u  r  e
se cure
se segure
se aceite
se ame
delicadamente
gentilmente
assustadoramente
a vida foi feita para os fortes
"onde os fracos não tem vez"
vê se aprenda de uma vez. ( )

26 janeiro 2010

da janela...



Todo dia eu observo aquela menina da janela
O que será que ela faz?
Por onde será que ela anda?
Quais serão seus medos? Seus desejos?
A janela sem cortinas faz a minha imaginação voar pra longe... pra bem perto dali...
O vento bate e o sino toca tocando a minha atenção...
Queria estar lá... conhecer seu mundo...saber o que ela escreve...o que ela lê...o que ela estuda...por quem espera...por quem sofre...
Será que ela sofre?
Está sempre sorridente... seu sorriso me acorda e me faz dormir...
Mas seu grito ensurdece... estremece...me amedronta...me preocupa...me instiga..
Por quem ela sofre? Sofre por quê?!
Essa menina tem tudo... uma janela com vidros limpos, flores, sinos e a felicidade presente...verde, viva...presente de alguém muito especial...alguém não mais presente e jamais ausente...
O que ela espera?
Será que ela espera enxergar a vida através da janela? Ouvir o ruído da rua? Sentir o cheiro da chuva?
Será que ela espera me conhecer? Sem saber?!
A vida se encarrega de promover esses encontros...
Não sei bem quem sou... posso ser qualquer um querendo um querer
Conhecer essa menina... mulher...moleca
Sorridente
Firme e às vezes ausente
Guerreira e insistente
Sensata, inconseqüente
Borboleta
Transparente
Independente
Impaciente...
Espero que ela espere...
Sua hora chega... ela vê...ela sente..
Espero que ela nunca se lembre das cortinas que cobrem seus encantos e sua privacidade, tirando a minha fantasia de assistir seus sonhos se tornarem realidade. ( )

21 janeiro 2010

.interrompido.continuado.


será que se tem esse direito
de tirar do peito
o que pulsa satisfeito?

o corpo não preenche
o órgão já não enche
o vazio tomou lugar

o silêncio se estabelece... 

buraco nú
gemido fino
presença ausente

o coraçao ainda toca
mas a semente não germina
o recipiente despovoado

o uivo ecoa
a culpa perdoa
o ato de (pré)ver...prevenindo

a água cai
a luz seca
a brisa toca

a  c  a  r  i  c  i  a

mas logo minha menina germinará

poderes
controles
sorrisos molhados
impulsos saltados
mordidas perdidas
lado a lado
eu e ela
até perder de vista
todas as manhãs
despertadas com lambidas. ( )



17 janeiro 2010

..caminhando sob o sol..


..ele sabia que poderia não estar..
mas estava ali.
..que talvez o vermelho não estivesse tão vivo
mas permanecia vermelho, rosado.
..que o fogo não estava tão seguro da altura de suas chamas
mas ainda queimava
..que o mar proporcionava ondas fortes, intensas, transformadoras
mas também sabia virar rio com carneirinhos vindos do sudoeste
..que as pedaladas ainda eram de menina insegura
mas o sorriso nos olhos trazia esperança e as raízes, trepidações
..que o sentimento existia
ainda que inseguro de ser
..que a tolerância era zero
mas tinha uma enorme vontade de ser 1, 2, 3, 7
..que a luz era violeta
mesmo que às vezes um pouco acinzentada
..que a vontade era de cultivar
mesmo que cativando em etapas
..que o sorriso era sorriso bom
mesmo que leve, na ponta dos lábios, olhando de lado
..que o sorriso era sorriso inteiro
com uma esperança esparançosa de ser eterno.
..que o caminho era de sol
caminhando...
descobrindo..
desvendando..
desejando..
necessitando..
ressurgindo..
pedalando..
amando..
sorrindo..( )

14 janeiro 2010

..Deus de Clarice..

Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar. (CL)

12 janeiro 2010

um ser só


um ser só
acompanhado de dúvidas
questionamentos
presenças

um ser só
acompanhado de medos
desafios
ausências

um ser só
acompanhado de certezas
comprometimento
vitórias

um ser só

só um
um de dois
dois de mais
acompanhado de um ser
um ser sozinho
ausente
carente
insistente
independente
diferente de só
convincente no um
sorridente em ser. ( )

05 janeiro 2010

..linguaruda..




"Porque há o direito ao grito
então eu grito."
...esperei muito tempo para gritar
agora grito sem parar...

que meu grito
penetre
cure
abra caminhos
seque
pare de cegar
realize
estabeleça
não  resolva
mas me faça esquecer
crer
viver
dormir leve
sorrir
sorrir
sorrir
...
( )



perdão..

se te fiz acreditar
sonhar acordado
dormir acompanhado

se te fiz pensar em infinito
ver um mundo mais bonito
achar tudo esquisito quando acendia a luz

se os dias ficaram mais compridos
os muros mais coloridos
postes floridos
e janelas abertas para a noite chegar

se a caixinha foi completa
mas voltou semi-aberta
com um fio fino e escorregadio

perdão..

se te fiz sofrer
e estremecer
permanecer
viver momentos sem começo e fim
e sorrir pra mim
sorrisos livres, radiantes

e n e r g i a

se o amor te fez crer
crescer
abastecer um coração batido e acelerado

se a vida nos cercou
nos presenteou com momentos
curtos e doces
breves e salgados

se a ponte se alongou
e a escada não alcançou
os degraus frágeis
curtidos

se a rua nos conectou
proporcionou coincidências
desabrochou um novo querer

ela pode agora nos guiar
e levar a algum lugar
onde os cantos se cruzem
mesmo que paralelos
singulares

e o instante surgirá
e alcançará o topo da felicidade
sem descer em alta velocidade
se perdendo em faces alheias

acordar
perceber
sumir
viver
voltar a sonhar
sonhos compartilhados
solitários
contando contos cantados
lembranças do que não viveremos mais.

perdão..

se a dor já não cabe no peito
se a saudade tomou proveito
e ocupa o lugar do sorriso satisfeito

essa dor me pertence
e quero de volta pois sou a proponente
dos projetos individuais
dessa história sem fim

e se o fim resultar em monólogo
rogo pedidos para que seja breve
e que assim nos leve
ao encontro de outros roteiros
que ilustrem
iluminem
colorido
as próximas fotos de nossas cenas da vida. ( )

26 dezembro 2009

eu, magrela


elas eram as únicas ...
singelas sobreviventes ...
naquele fim de tarde de natal
as casas ainda cheiravam a peru e frutas secas
o barulho dos papéis de presente ecoavam sobre as folhas das palmeiras
em outra ocasião estiveram acompanhadas de um anjo cuidadoso
mas hoje eram só elas duas
deviam dialogar pelas pedaladas seguintes
aro girando, marcha leve e um tapete cinza estendido só pra elas
unidas por um propósito
vítimas de abandonos hereditários
Ganhar o mundo era pouco...
elas queriam descobrir o que não era pra ser revelado
desfrutar do que não podia ser desperdiçado
andaram lado a lado por um bom tempo
recordações, memórias, vivências
coração acelerado
subitamente o desejo se transformou em necessidade
queriam ser uma só
caminhar juntas, desvelar segredos
trair a solidão com a presença sentida
descobrir os caminhos de pedras e os percursos macios
corpo tremido
desequilibrado
foco desfocado
paralelas curvas, curvas tortas
direita, esquerda, direita
Freio
peso parado, de lado
pés no chão
os segredos ficaram pequenos e o tapete cinza não tem mais fim
os fios sobressalentes fazem cócegas na ponta do nariz
é o início do começo


Ganhar o mundo era pouco... ( )








24 dezembro 2009

vazio ocupado


Fim de ano
necessidade de compartilhar..
pai
mãe
tia
família reunida
confraternização
aliança
comes
bebes
presentes
presença sentida
união de ideais
promessas...
promessas...
promessas...
a necessidade de estar supera a vontade de ser
ser mais
ver mais
sentir mais
ouvir mais
quero mais família reunida
mais presença sentida
a necessidade de ter supera a vontade de existir
o vazio ocupa muito espaço
o silêncio ensurdece o ambiente
a multidão esvazia a alma
e a família continua unida
Re Unida
unida pela necessidade de estar, ser, ter e existir
promessas...
promessas...
promessas... ( )

21 dezembro 2009

(só) (rir)

Hoje eu acordei sorrindo
sorriso sincero
íntegro
repartido
sem escova de dentes
Segui o meu dia sorrindo
sorriso medroso
inconstante
incompreendido
com um sopro de alívio e uma pitada de tensão
Quero passar as próximas vidas sorrindo
sorriso insípido
incalculável
remediado
acompanhado de um
de mim
sorriso unitário
de uma boca só
só...rir. ( )

19 dezembro 2009

Dito


eu queria dizer
queria...não quero mais
já quis muito
não consigo querer continuar querendo te dizer

dizer dói..
dor física..
começa no peito e termina
no calcanhar
dói do começo ao fim

dói o medo..
medo das palavras
da reação sobre a ação
da expressão de pavor

pavor do pânico
pânico do preto
medo do branco
seco. ( )

18 dezembro 2009

Moças

Esse curta foi gravado em julho desse ano e será exibido nesse Domingo, dia 20!
Foi escrito por Deborah Wood e Hugo Leão e o Roteiro e Direção é de Matheus Faro.
Com Bruna Savaget e Lara Gay


16 dezembro 2009

encontros desencontrados




eles viveram juntos
toda vida
mas toda vida era vida demais para eles
toda vida
era vida pequena pra tanto querer
A vida se encarregou da despedida
a despedida iniciou um elo
uma aliança sem meio e fim
o tempo
os dias
o sol
as fases da lua
o vento
os signos
aniversários menos povoados
natal sem garfo e faca
casa sem cores...pintaram tudo de branco
mas o preto continua entre eles
vivo, colorido, molhado, peludo, lambido
a coroa de flores secou
e o silêncio ensurdece
esmaga
esfola
escapa
foge a menina do seu destino
foge o garoto do seu amor
fogem os dois de seus guias
pra tentar encontrar em outras luzes, luzes próximas, que lhes aqueçam nas noites claras de uma lua qualquer.. ( )

13 dezembro 2009

..grito surdo..



quando não se tem mais forças para gritar
para cuspir
soprar
grunir
esperar
ouço uma voz
essa voz fala de amor, de dor, medo, mágoa
palavra lançada
cautela
ansiedade
tensão
calmaria
o grito foi lançado no espaço e emudeceu
ficou surdo
sem cor
tato
toque
pulso
leve
claro
flutuante
o grito ficou roxo
vermelho
dourado
sem cor
sem amor
em desespero
o grito virou dor
não volta mais
já feriu o espaço
as esferas
as donzelas que passeiam ao entardecer
o grito virou sonho
se transformou em nuvem
passageira
densa
oca
sem cor
macia
espessa
sem dor
amortecendo o impacto do pulo
pulando os obstáculos do som
o grito virou música para os meus ouvidos
não me aborrece mais
me aquece
me motiva
amadurece
ainda entristece
e me faz viver mais..( )

07 dezembro 2009

Santa Flor Mulher

eu vejo
sinto
escuto
ouço falar
perguntas
respostas
questionamentos sobre mim mesma
lugar comum questionar quem sou
copiar interrogações
plagiar interrogatórios
vivenciar descobertas já vistas
re-descobrir
re-dimensionar
re-significar
re-viver
comemorar
homenagear a chegada sem pensar na partida
viver a partida de quem nunca veio
a despedida de quem nunca foi
eu vejo
sinto
escuto
ouço falar de uma menina que quer ser bailarina
que quer escrever poemas
e pintar castelos com torres, muitas torres
e correr pelos campos floridos
e escalar a mais alta montanha
e comer cada fruta do pé
e ouvir cada canto do vento
e chorar pelo amigo que está perto
e sorrir pelos que sofrem com a função de sorrir somente
e dar para receber
e dar mais do que receber
eu vejo
sinto
escuto
ouço falar em flores
flores santas
flores que têm histórias pra contar e não tem nada a esconder
flores que sentem cores
cores que sentem amores
amores coloridos, floridos
amor de menina
de menina flor
de flor mulher
de mulher santa
de santa flor
de flor santa
de Santa Flor Mulher.(  )

28 novembro 2009

..filha de Yemanjá..

Ela costumava ir à praia todo domingo, no posto 10, em Ipanema.

Chinelinhos vermelhos, chapéu de pano para não queimar o couro cabeludo, já que seu cabelo era muito ralinho, deixando sua careca quase exposta.
Quando chegou foi logo reparando no mar. Tinha profunda admiração pelo mar. O respeito era tão grande que acabava se transformando em medo de sua imensidão.

- Não gosto quando o mar balança.

Seu medo tinha dois grandes motivos.
Quando criança a mãe a colocara para fazer aulas de natação em um verão e a tirou no inverno. Nunca mais voltou.
O avô a forçara diversas vezes a ir ao fundo do mar com ele. Mal chegava à praia e já carregava a primeira criança no braço. Umas gostavam razoavelmente, mas a grande maioria detestava.

Mas naquele dia o mar estava diferente. As ondas não eram muito grandes, mas vinham de todos os lados. Pareciam peixes nervosos procurando comida, saída ou qualquer coisa de urgente que fazia com que ultrapassassem a velocidade da luz.
Como que num ritual, ela sempre molhava os pés, as mãos e a nuca para saudar o mar.

- Salve Yemanjá

Voltou para a areia e percebeu que seu lugar não estava mais ali. Suas roupas, chapéu, balde e chinelinho vermelho haviam sumido. Pensou que devia ter se enganado e que as coisas estavam mais pra lá. Começou a andar em direção à barraca da Janaína, que era a vendedora de côco e grapette mais antiga da região.

- Jana, perdi minhas coisas.

- Mas você não passou mais por aqui.

Ela não entendeu nada. Sempre descera no mesmo lugar, mesma escada, mesmo caminho de areia, que era reforçado diariamente por seu pai, para que não queimasse os pés na volta, sob o sol quente de meio-dia.
Resolveu relaxar.

- Me dá um grapette.

Grapette lhe remetia à infância. Aos jogos de frescobol na beira da praia. Às queimaduras de água-viva no fundo do mar. Castelinhos de areia do reino das joaninhas. À coceira na sola dos pés provocadas por patinhas de Tatuí. Aos peixinhos que se misturavam às cristas das ondas.
Ela já não tinha mais aquele chinelinho vermelho. Nem o chapéu de pano. Seu avô já não podia mais nadar acompanhado. O mar foi tomado pelo cheiro do álcool. Já não era mais tão azul. Nem tão verde.
O Grapette já não era mais Grapette. Substituíram por essência de uva gaseificada.
Os jogos de frescobol já estavam proibidos na beira da praia e impossibilitados no fundo pela alta temperatura da areia.
O caminho fresco do fim foi desfeito pelo vento e o chinelinho já não cabia nos seus pés de unhas vermelhas descascadas.
Os Tatuís foram levados para uma enseada e passaram a viver coçando conchas quebradas pelas embarcações.
As águas já não eram mais tão vivas e já não queimavam a palma da mão.
O mar foi tomado pelo cheiro do álcool e seu avô só queria nadar sozinho.
Voltou ao seu lugar e encontrou um espaço.

Vazio.

Então percebeu que a menina se tornara mulher. Ainda filha de Yemanjá. Amante do saudoso Grapette. Carente dos caminhos frescos na areia. Desajeitada e esquecida.
Não lembrava mais como se construía os pilares dos castelos. Não sabia mais capturar joaninhas ou acertar as bolinhas azuis que ultrapassavam a velocidade da luz.
Seu medo pelo mar foi embora com as ondas povoadas por peixinhos ligeiros.

Só ficou a lembrança.

Agora o posto 10 virara 9 e meio. Ela passara a ouvir apitos vindos com o vento. O cheiro de álcool virou cheiro de mato e o mar ficou mais verde que azul.
Aquela praia não era mais a mesma, mas continuava ali. Intacta. Inatingível.
O vento não levou a areia embora. Ela estava mais mexida, misturada e um pouco pisada, mas continuava a mesma areia de sempre.
Seu chinelinho precisou de um pouco mais de borracha e seu chapéu, um pouco mais de pano.

A menina se tornara mulher, mas ainda filha de Yemanjá. Ainda amante do Grapette e saudosa de caminhos frescos na areia e mergulhos arriscados no mar. Seu castelo não era mais de areia e seu reino não era mais povoado por joaninhas, tatuís ou peixes ligeiros.

Mas ela continuava indo à praia todo domingo. Fazia o mesmo ritual, sentava na mesma areia mexida e acompanhava a rotina das joaninhas destronadas.
Só que agora ela era mais cuidadosa. Não queria mais se arriscar. Não queria perder suas lembranças, suas vivências, suas emoções. Não queria deixar passar sequer uma bolinha azul ou um peixinho ligeiro.

Antes de ir ao mar ela sempre procurava alguém. As pessoas mudaram, se renovaram, cresceram. Não reconhecia mais aquelas expressões, aqueles cheiros, aqueles baldinhos de areia, aquele sol que queimava a pele...mas ainda assim ainda era a mesma areia mexida, a mesma praia de infância, o mesmo posto, a mesma barraca, o mesmo chinelinho vermelho, o mesmo chapéu de pano, a mesma menina, a mesma mulher.
Ela não podia se arriscar a perder tudo isso...

- Você olha as minhas coisas enquanto eu mergulho no mar?( )

24 novembro 2009

n.i.n.a

..nós somos
ficamos
permanecemos
pra sempre
eternamente
até que a vida nos una
irmãs
amigas
cúmplices
sem pretexto
sem afinidades favoráveis
sem ocasiões oportunas
irmãs
amigas
cúmplices
até que a vida nos una
até que o tempo nos proporcione
até que o vento nos leve

até que a chuva nos seque
até que o sol nos cegue
até que a luz nos acolha
até sempre
pra sempre
eu e você
nós duas
irmãs
amigas
cúmplices
até que a vida nos una
até que o sempre seja eterno..( )

20 novembro 2009

.sem que nem se.



procuro respostas para perguntas nunca antes feitas
perguntas feitas diariamente
perguntas eternas
presentes, frequentes, permanentes
procuro perguntas sem resposta
perguntas livres, leves, despretensiosas
sorridentes, amáveis, acolhedoras
diretas, intransigentes
toscas e tolas
perguntas sem perdão
sem que nem se
sem se ver
sem tocar
perguntas sem amor
descrentes
infiéis
ininterruptas
sem nome
sem pergunta
sem dúvida
sem respostas acompanhadas de escolhas incertas.(  )

18 novembro 2009


eu quero um novo amor
um amor novo
amor leve
leve amor
um amor que não tem cerimônia
que tem identificação
que tem pele que cola e não desgruda mais
um amor adulto
amor de infância
p l a t ô n i c o
em sintonia inexplicável
amor de cinema, de novela, de história em quadrinhos
amor que vem, que fica, que quer ficar e permanecer
e permanece
amor.( )